No fim do Império,
quando ainda não existiam estações balneárias
na costa oceânica do país, surge o "Balneário
do Cassino" na cidade do Rio Grande. Os governadores da província
de São Pedro do Rio Grande do Sul, conselheiro Tristão
de Alencar Araripe e seu sucessor, Dr. Rodrigo de Azambuja Vilanova,
estavam a par da fama adquirida na Europa, pelos balneários
de Dieppe Deauville e Biarrits, que além do prazer dos banhos,
dos passeios à beira mar, das temporadas de férias, eram
excelentes estações de cura. Por este motivo, foram sensíveis
em concordar com esta idéia pioneira no país, de Antônio
Cândido Sequeira e seus companheiros, de criar uma estação
exclusivamente balneária.
Enquanto as praias do sul, lentamente se transformaram em centro de
veraneio na criação do "Balneário Cassino" houve
intenção do poder público de conceder privilégios
para viabilizar este empreendimento. E assim, foi outorgada à Companhia
Carris urbanos do Rio Grande, em 17 de dezembro de 1885, pela Lei número
1551, a respectiva concessão que caracteriza esta brilhante
idéia. De imediato, deu-se início ao arrojado empreendimento.
Em 1890, quando foi inaugurado oficialmente, o Balneário já oferecia
aos visitantes: hotel dispondo de 136 quartos, sala de refeições
e cozinha com pessoal habilitado, grandes salões de concertos,
bailes, jogos e leitura, bondes puxados a burro que levavam os banhistas
ao longo da Avenida 20 "chalets" na sua maioria, a moda suíça
com recortes em madeira, embelezavam a paisagem.
Esta companhia foi sucedida por outras que utilizaram o contrato e
privilégios das anteriores até que em 1909, a última
delas, a Cia. Viação Riograndense, fundada em 1895, por
motivos diversos vende através de leilão público,
imóveis, móveis e utensílios ao Cel. Augusto Cezar
Leivas, que cobrindo todos os lances, tornou-se seu legítimo
proprietário pela importância de 80 contos de Réis.
Desde o fim do século XVIII, o Cel. Leivas, capitalista, homem
dinâmico e empreendedor vinha participando de grandes projetos,
tais como: bondes, transportes marítimos, estradas de ferro
e outros. Logo que iniciou seu novo empreendimento, o Coronel Leivas
deu um grande impulso. Ao falecer em 22 de junho de 1926, deixou uma única
herdeira, sua sobrinha Maria José Leivas Otero. |