| Cassino
- Antigo |
Atlântico: Hotel
Também foi Cassino e Estação ferroviária.
Desfalcado de uma parte, pela constituição de um condomínio
horizontal, mas compensado sobejamente pela adaptação às
exigências do conforto moderno, que lhe valeram mais um pavimento
parcial e, em conseqüência, maior número de apartamentos,
o Hotel Atlântico permaneceu como um marco histórico
do município do Rio Grande. Conforme foi dito pelo Dr. Daoiz
de la Rocha, que em janeiro de 1990 lembrou o centenário do
Cassino e lhe deu ênfase como efeméride principal do
primeiro balneário marítimo do Brasil, "o acesso
era básico para que a praia fosse alcançada e a estação
balneária se concretizasse.
A necessidade do hotel porém, não ficava atrás,
pois os primeiros veranistas deveriam acorrer com a certeza de que
encontrariam as comodidades de um centro de lazer". E, segundo
a mesma fonte de informação, o próprio nome
por que, pouco depois de sua implantação, ficou sendo
conhecida a localidade, deveu-se a uma das atrações
de que dispunha o hotel. "Casino, com um só S" -
explica - "é palavra italiana, que entrou para o nosso
idioma com significado original de casa de reuniões, leitura,
lazer em variados sentidos, mas principalmente de jogo.
Embora o objetivo principal fosse oferecer serviços de hospedagem
e refeições, o jogo, que a lei não proibia,
estava no programa dos empreendedores, que dotaram de amplas dependências
o magnífico hotel. Não tardou que a nova localidade,
desde logo chamada Vila Siqueira, em homenagem ao notável
empreendedor - Antônio Cândido da Siqueira, nascido no
Rio Grande a 24 de setembro de 1846 - se tornasse conhecida como "Casino",
com a grafia italiana que até poucos anos atrás permanecia
nas notas de imprensa, nos documentos e mesmo na indicação
de destino ostentada pelos ônibus da respectiva linha.
O projeto da Companhia Carris de Urbanos, estendido à Companhia
de Bonds Suburbanos da Mangueira, que a sucedeu por força
das circunstâncias, era de construir um hotel de "120
aposentos ligados em forma a poderem ser ocupados também os
anexos, segundo o número que o ocupante pretender", como
se lia no prospecto distribuído entre os potenciais acionistas,
aos quais acenava com a perspectiva de um bom negócio, acrescentando: "e
cada um destes quartos custando $ 2.000,00 por dia, ou ser arrendado
por $ 250.000,00 por ano".
Ao final da construção, o hotel, que mais tarde ganharia
o nome de "Atlântico", ficaria com 136 quartos, aos
quais se juntava uma excelente "salle à manger",
como gostavam de dizer os nossos avós e bisavós, para
mostrarem a influência francesa em sua cultura... O hotel serviu,
também, nos primeiros tempos à própria empresa,
para os serviços essenciais dos trens, até que fosse
construído o prédio próprio de uma estação.
Ocupava, como até agora, dois quarteirões, permitindo-se
fechar uma quadra de rua (a atual Oswaldo Cruz) e os guichês
de venda de passagens se instalavam em dependência da esquina
com a atual rua Henrique Buhle. Por isso, o piso correspondente ao
passeio foi elevado, sem prejuízo da estética, e compensado
por degraus em alguns pontos, para servir de plataforma de embarque
dos passageiros, ao abrigo de um alpendre.
Durante alguns anos, depois de sua abertura, que se deu quando ainda
inconcluso, naquela primeira temporada de 1890/1891, o hotel do "Casino" não
teve igual no Rio Grande do Sul, em virtude, especialmente, do seu
porte impressionante. E ao longo de mais de um século, as
suas paredes foram testemunhas mudas da vida social do Estado. Ali
se realizaram elegantes reuniões dançantes, memoráveis
concertos e apreciadas horas de arte e, pelo menos até a década
de quarenta, entre as 7 da tarde e a alta noite, também era
familiar aos ouvidos dos seus freqüentadores o ruído
da bolinha buscando acomodação numa das cavidades do
prato da roleta. |
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As belas vivendas chamadas "chalets"
"Chalet" é palavra francesa, que designava um tipo
de casa dos montanheses suíços, mas no Cassino as primeiras
construídas por particulares, qualquer que fosse o seu estilo,
todas geralmente com alpendres debruados de madeira pacientemente
recortada, eram assim chamadas. Quando o trem começou a circular
entre a cidade e o Cassino, em 26 de janeiro de 1890, as construções
eram raras. Em seguida, porém, começaram a serem efetuadas
rapidamente, e preencheram os espaços vazios das ruas traçadas.
O interesse de pessoas de outros municípios em construir "chalets" no
Cassino era freqüentemente noticiado. A 6 de março de
1890, por exemplo, lia-se no "Diário do Rio Grande": "Consta
que além de vários cavalheiros desta cidade, vão
tomar terrenos por arrendamento, para construir "chalets" na
Mangueira, próximo ao Hotel, o visconde da Graça e
o major Francisco Nunes de Souza, de Pelotas".
O surto de construções ocorreu mesmo na segunda metade
da década de noventa do século passado, estendendo-se
aos primeiros anos deste século. Pessoas abastadas foram erguendo
belas vivendas em terrenos de quadra inteira, enfileirando-as diante
da linha férrea, formando assim a avenida central do balneário,
mais tarde denominada Rio Grande, arborizada com mudas de eucalipto
que cresceram rapidamente e até hoje dão aspecto acolhedor
ao Cassino. Com as vivendas surgiram os aproveitadores, que terminaram
sendo considerados pragas, por que iam visitar os veranistas, passavam
com eles o domingo inteiro, obrigando-os a despesas e ao trabalho,
impedindo-os de desfrutarem da plácida estação
balneária, tudo em nome da hospitalidade. Este trecho de notícia
do "Diário do Rio Grande" de 3 de março de
1890 mostra que as visitas interesseiras começaram cedo: "Muitas
senhoras e cavalheiros foram da cidade passar o dia com as famílias
de suas relações, que se acham ali a banhos..". |
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Restaurante a Beira-Mar
Nos primeiros dias de funcionamento da ferrovia com horários
regulares, o público acorreu de maneira extraordinária,
superando a expectativa. Os trens partiam do Parque, mas os bondes
de tração animal trafegavam com freqüência
entre a cidade e aquele local, levando os passageiros dispostos a
passear pela praia ou banhar-se nas águas do mar, cujas propriedades
medicinais tinham sido intensamente divulgadas. Pagavam passagens
de preço variável segundo o percurso: 200 réis
até Vieira, 400 até Senandes, 600 até o fim
da linha, na costa do mar. O trem do meio dia era considerado de
excursão e tinha tarifa única: 500 réis. Nos
primeiros dias cada trem levava dois carros, permitindo lotação
de 120 pessoas, e a companhia anunciava que Manuel Português,
conhecido comerciante do ramo de restaurante, no momento dedicado
ao estabelecimento montado no Parque trataria de vender refeições
na costa. Com isto tranqüilizava os passageiros glutões,
temerosos de amargar a sensação de fome... O restaurante
do Hotel funcionou logo de início, para atender os hóspedes,
mas logo se ampliou e foi entregue a um especialista, o Sr. René Pascal,
do Hotel Paris, que abriu um vasto salão, inaugurando-o, no
dia 16 de março, para um público extraordinário.
Com o passar do tempo, o restaurante à beira-mar ficou pronto
e passou a ser atração especial pela sua localização,
o seu estilo curioso e os bons quitutes que integravam o seu cardápio.
Era um chalé esquisito, que logo foi sendo chamado "dos
dois bicos", de sólida construção, que resistiu
ao passar dos anos, tendo desaparecido somente na década de
quarenta. Como a praia do Cassino é de aluvião, o restaurante à beira-mar
foi ficando cada vez mais afastado do mar. A praia avançava
ao natural e este avanço se acentuou ainda mais depois da construção
dos molhes. O local em que foi construído e que se considerava à beira
mar é a atual Avenida Atlântica. |
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Inspiração francesa
O Governo da Província de São Pedro do Rio Grande
do Sul não ficou alheio à iniciativa da Companhia Carris
Urbanos do Rio Grande, para a instalação de um balneário
marítimo na Mangueira. O presidente Tristão de Araripe,
em exercício na época do lançamento da idéia,
assim como Rodrigo de Azambuja Villanova, que o sucedeu, eram homens
esclarecidos, bem a par da fama adquirida na Europa pelos balneários
de Dieppe, Beauville e Biarritz, em conseqüência da doutrina
em plena voga, da excelência terapêutica dos banhos de
mar. E foram grandes impulsionadores da idéia, na parte que
lhes competia, promovendo as concessões e os privilégios
indispensáveis para que o empreendimento fosse levado avante.
O conhecimento do que se fazia na Europa chegava também a
muitas outras pessoas, principalmente através de revistas
francesas, trazidas regularmente pelos navios transatlânticos
e muito procuradas pela "elite" intelectual e social nas
livrarias da cidade. Eram revistas ilustradas nas quais se basearam
os promotores do Cassino para projetarem as primeiras construções
destinadas aos banhistas: as dependências para mudar de roupa
, de ocupação rotativa, e as que chamavam de barracas
e eram alugadas durante todo o dia para ponto de apoio à famílias
que iam passear na praia. Essas construções em madeira
de lei entraram pelos anos e foram em perfeitas condições
atestando a excelência do material empregado e da mão-de-obra
de primeira grandeza, utilizada um século atrás. |
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"Dona Mimi" História
viva do Cassino
Noemi de Assunção Osório Caringi, conhecida
pelo carinhoso apelido de dona Mimi, esta senhora, nasceu em Pelotas
e se definia cassinense de coração. Dona de uma das
mais belas casas do Cassino, dona Mimi conservava na plenitude de
sua maturidade uma beleza que retratava algo de pueril, um magnetismo
alegre e romântico que encantava quem a ouvisse. Falando do
passado ou do presente, a sua simpatia e inteligência eram
tão marcantes que chegavam a impressionar. Ativa e com impecável
bronzeado, dona Mimi que descendia de personagens ilustres como o
Barão de Jaru, o General Osório, de quem era neta,
e filha de Pedro Osório, fez jus à ascendência
no mínimo nobre. Poetisa, casada com o renomado escultor Antonio
Caringi, dona Mimi freqüentava o Cassino desde os 6 meses de
vida. Nas areias da praia e no canto do mar ela se inspirou para
criar. Nos seus versos falava sobre as belezas do Cassino/ romântica
por natureza, sempre pincelou o amor nos seus escritos. Melancólica às
vezes e pura alegria em outras, sua poesia é muito rica e
criativa. Autora de sete livros, dona Mimi dedicou um todinho à praia
do Cassino.
O livro de poesias " O mar da minha vida" é uma
declaração de amor ao mar que banha o Sul da costa
gaúcha. Dona Mimi teve seis filhos e doze netos, contava que
seu espírito se conservara sempre jovem e que guardara boas
lembranças do Cassino. Ela define o mar como seu companheiro,
amigo sereno que guardava segredos, ela personificava o mar com a
singeleza e sensibilidade dos artistas e vivia essa realidade profundamente.
Segundo a poetisa, o Cassino foi palco de uma grande e verdadeira
história de amor. Ela explicava que viveu momentos de extrema
felicidade ao lado do marido, na "Vila Francisca", na praia,
enfim em todo o balneário.
Nostálgica, ela lembrava da juventude, das festas e das serenatas.
Orgulha-se em ter criado seus filhos à beira-mar, que como
ela são também filhos do mar e apaixonados por ele.
Dona Mimi lembrava que, entre outros, um dos momentos inesquecíveis
que vivera foi, quando menina, sua irmã adoeceu e seu pai
prometeu reconstruir a Capela do Cassino, se a pequena se restabelecesse.
Graça alcançada, promessa cumprida. Outra passagem
interessante foi quando a própria dona Mimi recebeu em sua
casa a esposa de Getúlio Vargas, a senhora Darci Vargas. Além
disso ela também fez o Hino da Sociedade Amigos do Cassino
(SAC). Pessoa muito querida, dona Mimi fundia a sua vida a história
do Balneário e mantinha viva a memória da grande praia. |
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| Prédios
Históricos |
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O "Castelinho" (Avenida
Rio Grande), casa de veraneio do Sr. Comendador Francisco Bianchini.
Construída por volta de 1918, pelo comerciante Carlo Cuello,
esta residência, é um riquíssimo exemplo do estilo
italiano toscano, sendo hoje destacada como uma das mais belas casas
da praia do Cassino. |
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Vila Francisca (Avenida
Rio Grande), mandada construir pelo Dr. Fernando Osório, por
volta de 1915, é hoje habitada por seus sucessores. E esta belíssima
casa conserva as características do seu estilo alemão
bávaro. |
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A Residência da
Família Lawson, localizada na Avenida Rio Grande, entre as ruas
Uruguaiana e Itaqui, possui estilo colonial. Pertenceu anteriormente à família
Poock, proprietários da conhecida Companhia de Charutos Poock;
vendida em 1912 para a família Lawson. É uma das mais
antigas residências de veraneio do Cassino. Outras moradias de
igual valor históricos são das famílias: Loréa,
Duad, Dourado, Lages, e os belos chalés da Rua Rio de Janeiro. |
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CASSINO MODERNO
Atualmente, no Balneário Cassino , estão sendo construídos
prédios modernos com design avançado. Quem passa pela
Avenida Rio Grande, já tem a oportunidade de evidenciar o belo
contraste entre as imperiosas construções antigas e os
novos prédios, condomínios e residências muito
bem projetadas e construídas. |
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